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Educação
Sábado, 22 de novembro de 2008, 21h59
Rio: professores de áreas de risco receberão bônus
Carol Medeiros
Convidados pelo jornal O Dia, professores, diretores, alunos, pais, funcionários puderam entrevistar a futura responsável pela Educação no Rio de Janeiro. Mãe de cinco filhos, a administradora Cláudia Costin afirmou que sua prioridade como secretária municipal será as áreas de risco. Ela vai criar um "adicional de localidade" como incentivo financeiro para professores assumirem turmas em escolas de comunidades violentas, onde pelo menos 63 mil crianças estão vulneráveis ao cotidiano de conflitos e pobreza. Segundo levantamento do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), 212 escolas do município estão em áreas de risco. Estas unidades serão as primeiras a implementar na nova gestão o horário integral, que hoje só existe em 163 unidades - a rede tem 1.066.
Só este ano, milhares de estudantes ficaram sem aula, porque as escolas fecham quando há ações policiais nas favelas. Por conta da violência, estas unidades têm dificuldade de preencher seus quadros de docentes. Como garantir professores nestas escolas e qual suporte os mestres e seus alunos terão da secretaria?
Acredito na integração entre as políticas públicas e vou criar articulação com a Secretaria Estadual de Segurança Pública e as de Saúde. Educação não é só saber como dar aula. Você tem crianças com problemas de aprendizado causados por situações traumáticas advindas da pobreza ou da violência. Elas merecem tratamento diferenciado. O professor é a chave fundamental para detecção de problemas dentro da sala. E toda escola deve ter um coordenador pedagógico - essa é uma prioridade que pretendo cumprir já no primeiro ano. Ele vai criar condições para os professor atuar. O ideal é que cada unidade tenha um psicólogo, mas é uma meta com que ainda não posso me comprometer pois não olhei o orçamento. Enquanto não tivermos isso, podemos encaminhar aos centros de referência em psicologia. Vamos travar parcerias, trabalhar com o possível hoje. E ter um bom coordenador pedagógico resolve parte dos problemas. Isso é prioridade.
Haverá estímulos financeiro aos profissionais que aceitarem trabalhar nestas escolas. Se ainda não existe, vamos criar incentivos como adicionais de localidade no salário. Meu trabalho será muito focado nas comunidades. É lá principalmente que você tem que ter bons prefessores, diretores, gente que receba um preparo específico. Pretendo também contar com a ajuda de ONGs para orientar os novos professores. Não adianta pintar a realidade de rosa. Essas situações de violência existem dentro e fora de sala de aula e temos que encará-las.
Durante a campanha, o prefeito eleito Eduardo Paes prometeu estender o horário integral a toda a rede. Onde ele já existe, nem sempre é cumprido, porque falta professor. Como a senhora pretende realizar a promessa do prefeito e garantir que o contraturno saia da teoria para a prática?
Não basta deixar as crianças mais horas na escola. É preciso ampliar o repertório do aluno. No contraturno, após fazer o dever de casa, podemos levá-los a equipamentos culturais e centros desportivos, usar recursos das próprias localidades, através de parcerias. Claro que é mais fácil em bairros de classe média, onde existem clubes, por exemplo. Nas comunidades, tem que montar parcerias competentes com ONGs. As crianças podem ser transportadas para teatros e bibliotecas também, já conversei com a Jandira Feghali (futura secretária de Cultura) sobre isso. Ou seja, não necessariamente precisamos só de professores. Podem ser monitores, biblitecários, guias de museu. A ampliação do período integral será enfatizada nas áreas de maior vulnerabilidade da infância à violência, onde o Ideb é menor, onde faltam equipamentos sociais. Ali será nossa concentração de esforços. Não vamos descuidar dos bairros de classe média, mas a abordagem será diferente.
Nestes anos de gestão Cesar Maia, os movimentos de classe poucas vezes foram recebidos pela secretária de Educação. Como será a sua relação com os sindicatos?
Eles são representantes dos professores e têm que ser recebidos e ouvidos. Com certeza, temos uma agenda mínima comum já que eles estão preocupados com a melhoria da educação. Para darmos um salto de qualidade, devemos ter um pacto pela educação no Rio, a exemplo do que foi feito em Alagoas entre governo e sindicatos. Fica aqui um convite para que pensemos juntos no que faremos para as crianças cariocas aprenderem mais e melhor.Segundo a Unesco, uma sala de aula deve ter no máximo 25 alunos. A minha turma, no início do ano, tinha 39.
Como ter ensino de qualidade e atenção 'exclusiva' com turmas superlotadas?
Temos que ver, primeiro, onde estão as unidades com turmas maiores. Provavelmente há escolas com turmas pequenas. Se possível, respeitando o local de moradia da criança, a gente redistribui. Claro que isso não é suficiente e nem será sempre possível. Com certeza, construiremos novas escolas, mas nos bairros certos, onde há maior demanda. E, para oferecer mais turmas, instituir a educação de suporte (reforço escolar) e cobrir o déficit de docentes, vamos contratar mais professores.
Como você lida com uma estrutura que vai formar gente e não tem o número de profissionais suficiente?
Uma das primeiras coisas que negociei com o prefeito é que teremos concurso para professor todos os anos.Se você fica 10 anos sem concurso, uma geração de professores experientes se aposenta e não repassa conhecimento para os novos. E, para algumas atividades, como oficinas, não precisaremos de professor, mas de estagiários, que é uma forma de colocar os futuros professores em contato com a realidade que terão que enfrentar depois de formados.
Todos falam do déficit de professores, mas uma escola não funciona sem servente, merendeira, inspetor.
A secretaria vai fazer concurso público para funcionários?
Vamos fazer um diagnóstico da necessidade de profissionais de apoio à Educação para saber quantos e quais funções são necessárias. O que não pode é deixar a escola desestruturada. Posso chegar a conclusão de que uma cooperativa de mães pode resolver determinado problema, como vi acontecer em Sâo Paulo. Pode ter gente sobrando numa área e faltando em outra.
Não existe creche municipal perto da minha casa e as duas dos bairros vizinhos não tinham vaga. Não posso pagar uma babá.
A senhora pretende construir creches em todos os bairros?
A promessa do prefeito é triplicar a oferta de vagas nas creches. Faremos isto construindo novas creches municipais e também firmando novos convênios. Além da necessidade de os pais trabalharem, a faixa de idade de 0 a 3 anos é importantíssima para estimular o aprendizado. Vamos ter creches em todos os bairros da cidade onde houver crianças. Elas serão construídas primeiro nas regiões de maior vulnerabilidade, ou seja, nas áreas de risco e comunidades carentes.
Na minha escola faltam cadeiras para os alunos e mesa para o professor. Desde maio do ano passado, dividimos espaço com outra escola, porque a nossa foi demolida, entrou em obras e até hoje não ficou pronta (o prazo de conclusão era maio). Isso desanima e muitos desistem de estudar. Como a senhora pode resolver isso e melhorar o nosso ensino?
As escolas não precisam ter estrutura sofisticada, mas condições de as crianças assistirem às aulas. O mínimo que se pode fazer é equipar. É fácil falar, mas dicífil fazer. Iremos a cada escola da rede fazer um diagnóstico preciso das condições físicas e de equipamentos. Serei uma secretária que constantemente vai visitar escolas. Sou obcecada por escola. Criei cinco filhos e visitar escola é uma especialidade. Mas agora irei com um olhar de mãe e de secretária. Se uma escola não tem condições de educar o seu filho, você vai querer isso para os filhos de uma cidade que te abriga como secretária de educação? Sem demagogia, isso não faz sentido.
O Dia
Educação
Sábado, 22 de novembro de 2008, 21h59
Rio: professores de áreas de risco receberão bônus
Carol Medeiros
Convidados pelo jornal O Dia, professores, diretores, alunos, pais, funcionários puderam entrevistar a futura responsável pela Educação no Rio de Janeiro. Mãe de cinco filhos, a administradora Cláudia Costin afirmou que sua prioridade como secretária municipal será as áreas de risco. Ela vai criar um "adicional de localidade" como incentivo financeiro para professores assumirem turmas em escolas de comunidades violentas, onde pelo menos 63 mil crianças estão vulneráveis ao cotidiano de conflitos e pobreza. Segundo levantamento do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), 212 escolas do município estão em áreas de risco. Estas unidades serão as primeiras a implementar na nova gestão o horário integral, que hoje só existe em 163 unidades - a rede tem 1.066.
Só este ano, milhares de estudantes ficaram sem aula, porque as escolas fecham quando há ações policiais nas favelas. Por conta da violência, estas unidades têm dificuldade de preencher seus quadros de docentes. Como garantir professores nestas escolas e qual suporte os mestres e seus alunos terão da secretaria?
Acredito na integração entre as políticas públicas e vou criar articulação com a Secretaria Estadual de Segurança Pública e as de Saúde. Educação não é só saber como dar aula. Você tem crianças com problemas de aprendizado causados por situações traumáticas advindas da pobreza ou da violência. Elas merecem tratamento diferenciado. O professor é a chave fundamental para detecção de problemas dentro da sala. E toda escola deve ter um coordenador pedagógico - essa é uma prioridade que pretendo cumprir já no primeiro ano. Ele vai criar condições para os professor atuar. O ideal é que cada unidade tenha um psicólogo, mas é uma meta com que ainda não posso me comprometer pois não olhei o orçamento. Enquanto não tivermos isso, podemos encaminhar aos centros de referência em psicologia. Vamos travar parcerias, trabalhar com o possível hoje. E ter um bom coordenador pedagógico resolve parte dos problemas. Isso é prioridade.
Haverá estímulos financeiro aos profissionais que aceitarem trabalhar nestas escolas. Se ainda não existe, vamos criar incentivos como adicionais de localidade no salário. Meu trabalho será muito focado nas comunidades. É lá principalmente que você tem que ter bons prefessores, diretores, gente que receba um preparo específico. Pretendo também contar com a ajuda de ONGs para orientar os novos professores. Não adianta pintar a realidade de rosa. Essas situações de violência existem dentro e fora de sala de aula e temos que encará-las.
Durante a campanha, o prefeito eleito Eduardo Paes prometeu estender o horário integral a toda a rede. Onde ele já existe, nem sempre é cumprido, porque falta professor. Como a senhora pretende realizar a promessa do prefeito e garantir que o contraturno saia da teoria para a prática?
Não basta deixar as crianças mais horas na escola. É preciso ampliar o repertório do aluno. No contraturno, após fazer o dever de casa, podemos levá-los a equipamentos culturais e centros desportivos, usar recursos das próprias localidades, através de parcerias. Claro que é mais fácil em bairros de classe média, onde existem clubes, por exemplo. Nas comunidades, tem que montar parcerias competentes com ONGs. As crianças podem ser transportadas para teatros e bibliotecas também, já conversei com a Jandira Feghali (futura secretária de Cultura) sobre isso. Ou seja, não necessariamente precisamos só de professores. Podem ser monitores, biblitecários, guias de museu. A ampliação do período integral será enfatizada nas áreas de maior vulnerabilidade da infância à violência, onde o Ideb é menor, onde faltam equipamentos sociais. Ali será nossa concentração de esforços. Não vamos descuidar dos bairros de classe média, mas a abordagem será diferente.
Nestes anos de gestão Cesar Maia, os movimentos de classe poucas vezes foram recebidos pela secretária de Educação. Como será a sua relação com os sindicatos?
Eles são representantes dos professores e têm que ser recebidos e ouvidos. Com certeza, temos uma agenda mínima comum já que eles estão preocupados com a melhoria da educação. Para darmos um salto de qualidade, devemos ter um pacto pela educação no Rio, a exemplo do que foi feito em Alagoas entre governo e sindicatos. Fica aqui um convite para que pensemos juntos no que faremos para as crianças cariocas aprenderem mais e melhor.Segundo a Unesco, uma sala de aula deve ter no máximo 25 alunos. A minha turma, no início do ano, tinha 39.
Como ter ensino de qualidade e atenção 'exclusiva' com turmas superlotadas?
Temos que ver, primeiro, onde estão as unidades com turmas maiores. Provavelmente há escolas com turmas pequenas. Se possível, respeitando o local de moradia da criança, a gente redistribui. Claro que isso não é suficiente e nem será sempre possível. Com certeza, construiremos novas escolas, mas nos bairros certos, onde há maior demanda. E, para oferecer mais turmas, instituir a educação de suporte (reforço escolar) e cobrir o déficit de docentes, vamos contratar mais professores.
Como você lida com uma estrutura que vai formar gente e não tem o número de profissionais suficiente?
Uma das primeiras coisas que negociei com o prefeito é que teremos concurso para professor todos os anos.Se você fica 10 anos sem concurso, uma geração de professores experientes se aposenta e não repassa conhecimento para os novos. E, para algumas atividades, como oficinas, não precisaremos de professor, mas de estagiários, que é uma forma de colocar os futuros professores em contato com a realidade que terão que enfrentar depois de formados.
Todos falam do déficit de professores, mas uma escola não funciona sem servente, merendeira, inspetor.
A secretaria vai fazer concurso público para funcionários?
Vamos fazer um diagnóstico da necessidade de profissionais de apoio à Educação para saber quantos e quais funções são necessárias. O que não pode é deixar a escola desestruturada. Posso chegar a conclusão de que uma cooperativa de mães pode resolver determinado problema, como vi acontecer em Sâo Paulo. Pode ter gente sobrando numa área e faltando em outra.
Não existe creche municipal perto da minha casa e as duas dos bairros vizinhos não tinham vaga. Não posso pagar uma babá.
A senhora pretende construir creches em todos os bairros?
A promessa do prefeito é triplicar a oferta de vagas nas creches. Faremos isto construindo novas creches municipais e também firmando novos convênios. Além da necessidade de os pais trabalharem, a faixa de idade de 0 a 3 anos é importantíssima para estimular o aprendizado. Vamos ter creches em todos os bairros da cidade onde houver crianças. Elas serão construídas primeiro nas regiões de maior vulnerabilidade, ou seja, nas áreas de risco e comunidades carentes.
Na minha escola faltam cadeiras para os alunos e mesa para o professor. Desde maio do ano passado, dividimos espaço com outra escola, porque a nossa foi demolida, entrou em obras e até hoje não ficou pronta (o prazo de conclusão era maio). Isso desanima e muitos desistem de estudar. Como a senhora pode resolver isso e melhorar o nosso ensino?
As escolas não precisam ter estrutura sofisticada, mas condições de as crianças assistirem às aulas. O mínimo que se pode fazer é equipar. É fácil falar, mas dicífil fazer. Iremos a cada escola da rede fazer um diagnóstico preciso das condições físicas e de equipamentos. Serei uma secretária que constantemente vai visitar escolas. Sou obcecada por escola. Criei cinco filhos e visitar escola é uma especialidade. Mas agora irei com um olhar de mãe e de secretária. Se uma escola não tem condições de educar o seu filho, você vai querer isso para os filhos de uma cidade que te abriga como secretária de educação? Sem demagogia, isso não faz sentido.
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